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Incluir pessoas com deficiência na organização passa por refletir sobre como evitar o capacitismo no ambiente de trabalho. Afinal, a perpetuação de paradigmas fortalece os preconceitos.

Fiona Kumbari Campbell, professora na Universidade de Dundee na Escócia, explica o capacitismo como discriminação por motivo da condição de deficiência. Está associado à ideia de padrão corporal perfeito e afastamento de aptidão e capacidade da pessoa em virtude de uma condição de deficiência. 

Neste artigo reunimos tudo o que você precisa saber para entender como o capacitismo é propagado nas empresas e como evitá-lo. Leia!

O que é capacitismo no ambiente de trabalho

O capacitismo é estrutural, está enraizado na sociedade. É muito comum ouvirmos expressões como “mesmo fulano sendo uma pessoa com deficiência, consegue fazer tudo”. 

Isso pressupõe que uma pessoa com deficiência não possuiria o mínimo de capacidade para realizar tarefas corriqueiras como uma pessoa sem deficiência. 

No ambiente de trabalho, o capacitismo é o questionamento da capacidade profissional de uma pessoa. Como, por exemplo, achar que um profissional surdo não está apto para a função apenas por não ter a possibilidade de ouvir, criando muitos desafios na comunicação entre surdos e ouvintes, além de um ambiente hostil.

Uma empresa precisa estar preparada para inclusão de pessoas surdas e com outras deficiências. A Lei No 8.213/1991 estabelece que as empresas devem oferecer uma cota dos seus cargos para pessoas com deficiência e reabilitadas. As porcentagens da cota determinada pela Lei seguem a seguinte proporção para números de funcionários:

  • 101 a 200 colaboradores – 2%,
  • 201 a 500 colaboradores – 3%,
  • 501 a 1000 colaboradores – 4%,
  • acima de 1000 colaboradores – 5%.

A Lei nº 13.146, também conhecida como Lei Brasileira de inclusão da Pessoa com Deficiência (LBI), amplia o direito das pessoas com deficiência de inserção no mercado de trabalho e no ensino superior, prevendo um critério matemático para estabelecer o número de vagas a serem preenchidas. Ainda assim, a acessibilidade não é suficiente.

Segundo os dados do ano de 2018 da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), apenas 1% dos postos de trabalho são destinados a pessoas com algum tipo de deficiência. De 46,6 milhões de vagas com carteira de trabalho assinada, apenas 486 mil são ocupadas por pessoas com deficiência.

Ações e expressões do capacitismo no ambiente de trabalho para evitar 

Algumas frases e expressões populares propagam bastante o capacitismo e o preconceito. Exemplos: “dar uma de João sem braço” ou “que mancada”

Outras são frases que já estamos acostumados a usar como referência de uma pessoa com deficiência, como “fulana é dificiente, mas é bem ativa”, ou “fulano é surdo, mas consegue fazer tudo sozinho”. São falas preconceituosas que estigmatizam.

Ações inconscientes como infantilização ou ser muito didático ao conversar com um colega de trabalho que possui alguma deficiência também são exemplos do capacitismo.

Embora sejam frases e expressões, elas afetam a autoestima da pessoa com deficiência, e o principal: estão tão introjetadas que nos leva a duvidar que uma pessoa com deficiência possa ocupar espaços, executar atividades simples. Ou seja, a linguagem acaba por ser uma ferramenta de exclusão.

Para entender melhor quais expressões e ações evitar, converse com uma pessoa com deficiência com respeito e empatia, buscando aprender com as experiências e história da pessoa.

Como evitar capacitismo no ambiente de trabalho 

É preciso ter em mente que a inclusão não se limita à contratação do profissional com deficiência. Para um ambiente de trabalho inclusivo, é preciso conscientização e preparação de líderes e equipes. 

Para auxiliar você nessa missão, listamos algumas dicas para evitar o capacitismo no ambiente de trabalho e promover a inclusão na empresa. Confira!

1. Trabalhar aceitação e identificar níveis de rejeição da equipe

Além das adaptações físicas, a empresa precisa promover ações que trabalhem a boa relação interpessoal. É muito comum que colaboradores apresentem algum tipo de rejeição no início por não saber como agir, falta de conhecimento ou preconceito. 

Por isso, é interessante que os departamentos de Recursos Humanos e de Diversidade mapeiem o nível de aceitação e rejeição sobre a contratação de pessoas com deficiência. 

Com dados e informações em mãos, é possível traçar um plano de ação para tornar o ambiente mais aberto a integrar os profissionais com deficiência.

2. Treinamentos em todos os setores e o capacitismo no ambiente de trabalho

Promover palestras e treinamentos para que os colaboradores entendam as ações e expressões que perpetuam o preconceito velado e violência contra pessoas com deficiência.

Abordar também o respeito, a importância da inclusão social e profissionalmente, além de medidas que podem ser tomadas para tornar o ambiente mais empático. 

Os treinamentos são fundamentais para que os colaboradores construam uma relação de trabalho mais inclusiva. Pois, podem sugerir mudanças em processos operacionais e adaptações para que o profissional com deficiências se adapte mais facilmente à rotina de trabalho. 

Assim, as empresas podem exercer as novas políticas e atrair mais candidatos surdos ou com outras deficiências para integrar ao time em um ambiente saudável.

3. Mapeamento de acessibilidade e facilitar a inclusão

A empresa precisa fazer um mapeamento das acessibilidades, identificar barreiras e pontos de dificuldade para uma pessoa com deficiência. 

As adaptações realizadas precisam seguir a Norma Técnica Brasileira 9050 (NBR-9050) verificando todas as características:

  • programática – barreiras invisíveis em políticas e normas da empresa;
  • instrumental – nos instrumentos e ferramentas de trabalho;
  • metodológica – em métodos e técnicas de trabalho;
  • comunicacional –  na comunicação interpessoal;
  • atitudinal – preconceitos, estereótipos, estigmas e discriminações;
  • arquitetônica – barreiras físicas. 

As adaptações devem proporcionar: conforto, independência e segurança dentro dos espaços da empresa. Sinalização tátil, sonora e visual de forma integrada, banheiros adaptados e rotas acessíveis são apenas algumas das melhorias nos espaços.

Estações de trabalho e equipamentos que promovam a acessibilidade digital também são essenciais para a integração do profissional e para garantir sua autonomia e independência na execução de tarefas.

4. Outras medidas

Ter uma equipe de apoio especializado, divulgar internamente o programa de inclusão, conscientizar as lideranças de equipes e diretoria são medidas que ajudam a evitar o capacitismo no ambiente de trabalho.

Os supervisores e gestores precisam ter um bom relacionamento interpessoal, ser cuidadoso com as próprias ações e com as ações da equipe na hora da integração, evitando constrangimentos e atitudes preconceituosas.

Acompanhar de perto e oferecer um plano de carreira também é um trabalho do setor de Recursos Humanos, estimulando as habilidades e competências técnicas do profissional. É preciso entender a importância da inclusão na cultura empresarial. 

Com todas as informações sobre capacitismo e medidas para evitá-lo no ambiente profissional, baixe o quiz “Qual o nível de inclusão da sua empresa?“.

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